A Globo e sua “metaprogramação”
Entra ano, sai ano e a Globo continua firme na liderança da audiência, com uma programação que apresenta qualidade questionável. É interessante observar a evolução do conteúdo desta televisão nos últimos anos. As novelas passaram a fazer “merchandising” social, tratando de direitos de minorias etc. Esta programação, apesar de sua “intenção” geralmente inclui um leque de estereótipos em papéis muito artificiais. Está certo que talvez as outras redes nem isto fazem, mas não podemos consumir este lixo sem um arroto sequer.
O que mais me preocupa, no entanto, é a quantidade de programação falsa que existe. Falsa porque não original. Por exemplo: lançam uma novela, uma semana antes o Faustão faz um programa com os principais atores, o Video Show faz matérias regulares sobre a novela, um assunto dela vira tema do Globo Repórter, uma parte sai no Fantástico, às vezes em noticiário. Até o Casseta e Planeta faz cada vez mais piadas sobre a própria programação. Alguns temas abordados podem entrar no roteiro de programas, como a Grande Família e outros. E no fim uma proporção importante da programação é sobre a programação, uma proporção maior que a dita educativa. Isto sem contar os programas de fofocas de outras redes e outros meios de comunicação. Parece que o povo é trouxa… Parece não. É!
Justiça seja feita
Enquanto escrevia o post anterior escutava o jogo contra o Cruzeiro (infelizmente pela Band, com um colorado comentando). Primeiro lugar, vou dar uma trégua para o Tcheco (acho que só eu critiquei ele contra os coríntios e o primeiro gol hoje foi jogada dele). E finalmente a justiça foi feita. No Mineirão eu vi, o Grêmio deu um chocolate no Cruzeiro – agora a justiça foi feita.
A foto abaixo é daqui de São Paulo, do uniforme do Grêmio da Zona Leste, time amador que obvi
amente se espelhou no tricolor dos pampas para seu uniforme – boa escolha.
Lembranças de um gremista na série B I
No ano passado tivemos novamente a triste experiência de jogar a série B, mas que como tudo na história do Grêmio foi encarado com paixão, redundando na batalha dos Aflitos. Agora, que isto está cada vez mais longe de ocorrer de novo, vou relatar minhas experiências nos jogos da série B – assisti a três deles (terça, sexta e sábado são dias ruins para eu viajar).
Grêmio e União Barbarense (julho de 2005). Santa Bárbara do Oeste… Para chegar lá é pegar a Bandeirantes e seguir, a cidade fica pra lá de Americana (duas a três horas de São Paulo). O jogo foi em um domingo, e pegamos a estrada às 10 – 11 horas. A cidade é pequena, com poucos edifícios e não foi difícil achar o estádio – a estratégia era chegar ao estádio e estacionar para procurar restaurante. Próximo ao estádio, no entanto, havia outros clubes, casas, botecos, uma padaria e um restaurante a la carte que tinha fila (detesto filas…), a solução foi a padaria – um sanduíche.
Após comer fomos procurar os ingressos, e entrar no estádio – não sem antes jogar fora o guarda-chuva, pois não era permitido. O estádio com arquibancadas de ferro e madeira, altas, e com um vão entre cada degrau, enfim, horrível. Ficamos atrás de uma goleira e éramos maioria até uns 15 minutos antes, quando chegou a torcida local e seus tradicionais apupos (“ão ão segunda divisão” e gaúcho v.”). Na nossa torcida, famílias e casais, pessoas do interior do Paraná e São Paulo, gaúchos em trânsito e uma família da cidade (o guri desta família conhecia os provocadores do outro lado e provocava dizendo “ão ão terceira divisão” – o Barbarense caiu mesmo). No mais o de sempre: banheiros péssimos e sem bar.
O jogo em si foi uma tragédia. Empate. Anderson expulso. Os dois times muito ruins, e naquela época o Mano ainda era muito criticado – queriam que ele atacasse, mas … com o que?
Grêmio detona coríntios
Sempre é uma alegria ver o imortal tricolor aqui em São Paulo. Melhor ainda se contra seu grande freguês, os coríntios. Melhor ainda no Pacaembu, estádio em que a torcida visitante fica hoje melhor acomodada que no Morumbi e no Parque Antártica. Ainda melhor sendo de graça – sim, os tricolores foram convidados de honra ! A vitória de hoje alçou o Grêmio à terceira posição e será importante no cômputo geral do campeonato. Sobre ela, gostaria de fazer alguns comentários:
- o Grêmio começou arrasador, e pressionou com qualidade o adversário até os 10 minutos. Após isto, o jogo ficou equilibrado, mas os coríntios ainda não são um time de futebol, o que facilitou o jogo. O primeiro gol saiu de bola parada neste segundo período. No lado esquerdo da defesa coríntiana havia uma avenida, que foi pouco utilizada Grêmio.
- Neste ritmo foi o jogo até a expulsão de Lucas, aos 14 do segundo tempo. Neste ponto o Grêmio ficou com um a mais e quis dar show… Não podia dar certo! Não há jogadores para isto… Os coríntios se abateram e o Grêmio ficou com uma superioridade arrasadora que traduziu-se em espaços para o contra ataque e no melhor momento dos paulistas no jogo. Sim, parecia que os tricolores não sabiam o que fazer com tanta superioridade – e os coríntios dominaram…
- Lá pelos 27 Lucas foi expulso. Ele era o melhor do Grêmio no primeiro tempo, mas sua expulsão equilibrou o jogo. 10 contra 10, os jogadores do Grêmio cairam na real e se acharam em campo. O time ficou melhor postado e o jogo ficou muito equilibrado, saindo o segundo gol em outro escanteio.
- Leão ajudou, tirando o Carlos Alberto, o único jogador corintiano que oferecia algum risco à defesa tricolor. Não há comparação entre Rafael Moura e Carlos Alberto – a impressão que passa é que Leão viu um momento bom no jogo e quis queimar o Carlos alberto. Quem se queimou foi ele…
- Lucas foi brilhante, e não sei ao certo porque foi expulso. Foi o melhor atacante e o melhor meia de contenção. Sem ele, o time fica capenga. Por outro lado, não dá para o Tcheco. Ele atrasou jogadas importantes, não sabe o que fazer com a bola. Talvez ele ainda sinta dores no púbis – se for isto, dá férias para ele! Por fim, Marcelo na bola aérea é perdidinho, não é possível o Grêmio, com toda a sua tradição de goleiros, de Lara a Danrlei, ficar refém desta dupla Galato – Marcelo.
- O árbitro não viu a copa. Toda hora algum coríntio jogava a bola longe e ele não fazia nada. Até que o Mascherano fez – levou o amarelo - reclamou assintosamente, e foi expulso. Leão fez o que quis também. Árbitro omisso!!!
- O Pacaembu estava cheio de banheiros químicos e ninguém botou fogo em nenhum. Banheiros químicos não são motivo para revolta.
Ainda o Grenal
Recebi um comentário referente ao fatídico grenal dos banheiros químicos queimados. O aimgo Jair, gremista, estava lá e pelo que ele fala o problema era menor que 200 pessoas. Quando escrevi sobre o assunto não quis dar nome aos bois, até porque de longe estava difícil. Realmente, como ele descreve, a imprensa atribuiu à Geral do Grêmio, mas depois o Grêmio reconheceu alguns responsáveis, os quais pertenciam a torcidas organizadas (diferente da Geral, que não é organizada) – aliás isto foi pouquíssimo divulgado. Quem quiser maiores informações sobre o assunto clique neste link. A cobertura do blogueiro que me escreveu supera a dos jornais.
Agora, volto a afirmar o que disse antes: há uma proporção maior de maloqueiros na torcida do Grêmio do que antes. Provavelmente eles sejam ligados às vestigiais organizadas gremistas. Lembro que uma vez a Jovem brigou na rua contra a torcida do Lageadense (!?!?!?!?!) . Não sei como está hoje do outro lado – mas é que antes só existiam maloqueiros do outro lado. Vide coréia.
Aliás, um estádio que tinha coréia até pouco tempo atrás não pode dar lição de segurança…. Por fim, esta restrição à torcida organizada que existe hoje no beira-esgoto (pobre Rio Guaíba, mas naquela altura é podre mesmo…) compromete a segurança nos clássicos que envolvam times do estado (especificamente o Grêmio).
Por fim, a má-vontade atual da imprensa gaúcha com a Geral do Grêmio não tem motivos clubísticos. Penso que ela, assim como outras coisas que acontecem nos três estados do sul, tensionam contra a União, e neste momento a imprensa está ao lado da unidade da federação (algo que pode mudar). Ainda reúno elementos, mas volto ao assunto dia destes.
E todos rumo ao Pacaembu para esmagar os coríntios neste domingo !!!!!
Observar a Imprensa
Ontem a Folha de São Paulo publicou o caso do vice-governador do Amazonas, que conseguiu aprovar uma emenda a constituição estadual para criar aposentadoria integral a ele, vice-governador. R$ 20000,00; um salário realmente bom. Entre as manobras que o Sr Omar Aziz (PMN) fez para tudo correr bem, pediu para a imprensa não noticiar o assunto.
E foi atendido. A imprensa do Amazonas, unida visceralmente aos políticos do estado, contribuiu para o mini trenzinho da alegria do vice. É curioso que os seus representantes viram o fato como algo normal, sem prejuízo da liberdade de imprensa. O fato não gerou editorial da Folha de São Paulo. O fato não gerou protestos da OEA, ferrenha defensora da liberdade de imprensa na Venezuela. O fato não gerou nada além de meia página da Folha. Por que?
Porque isto é a imprensa brasileira em sua essência: atacar os jornais do Amazonas pelo seu conluio com o poder seria como atacar a essência da imprensa brasileira. Talvez isto sim (uma cobrança por um órgão regulador que vigiasse as questões éticas do jornalismo) seria motivo de protestos. Porque a liberdade da imprensa é a liberdade que tem os grupos detentores do jornalismo de usar os seus meios como instrumento de barganha em defesa dos seus interesses. Desde favorecer um político amigo, até conseguir 1 bilhão no BNDES para rolar dívidas.
Concordo que a idéia do Conselho de Jornalismo é perigosa, porque os mesmos que hoje mandam mandariam nele. Acho hipócrita os argumentos usados no entanto, porque a verdadeira liberdade de imprensa aqui não existe. Nem nunca existirá, pois o jornalismo deve atender a diversos clientes (políticos, patrocinadores) antes de atender a verdade.
Agradecimento
Quando fiz este blog não pensava em quem iria acessá-lo. Pensava apenas em desabafar e escrever alguns pensamentos. Nunca pensei que tivesse mais de 10 acessos por dia, e quando pela primeira vez ele teve mais que dois acessos já achei bem legal. Hoje, dois meses depois, o blog passou os mil acessos. Claro, a maioria deve se sentir fraudada, porque não encontrou exatamente o que queria – sei bem o que é isto. Mesmo assim, agradeço a todos os que tiveram a paciência de ler alguma linha destes meus devaneios. Valeu, pessoal.
Quem venceu?
O “fim” do conflito no Líbano na semana passada levou a uma situação interessante: os dois lados anunciam vitória. Israel pode dizer que bombardeou o Líbano impunemente, teve poucas perdas e destruiu uma parte do adversário. Já o adversário (que não é um país, mas um grupo armado, o Hezbollah) pode dizer que matou alguns israelenses (a maioria civis, mas todos “infiéis”), continua vivo e aumentou seu poder de barganha. Discordo de ambos.
Os dois lados perderam. Israel entrou para exterminar o Hezbollah e não conseguiu – ele virou parte da negociação. Já o Hezbollah fez a lambança para libertar os seus prisioneiros que estão em Israel: não conseguiu, e agora ficará difícil conseguir. Os EUA ficaram confusos nesta situação, e quando parecia que Israel tentava agir articulado com o seu governo, a impressão final que ficou foi de improvisação – perderam também. Já o Iran será mais vigiado de agora em diante, pois armou um grupo guerrilheiro de outro país. Os civis de ambos os países perderam – vidas inclusive – assim como perdeu o governo do Líbano que se viu obrigado a fechar com o Hezbollah mas sem ter estrutura militar para fazê-lo (ficou parecendo uma barata tonta). Perdeu o Brasil, que não tomou uma atitude firme na defesa dos interesses de seus milhares de cidadãos que vivem no Líbano.
Nunca uma guerra teve tantos perdedores. Viva a indústria armamentista, única vencedora.
News from Brazil
Political advertising in television have began this week. All politicians involved in recent scandals, like “sanguessugas” and “mensalão”, are asking for vote. It is funny, but it is tragic too. The most famous public man involved in corruption scandals is Paulo Maluf, and he is candidate to Brazilian Congress. His program focuses impunity and he is willing to change legal issues related to punishing criminal teenagers. But Maluf himself is a symbol of impunity! This is the first week of political advertising, and it is clear that Alckmin cannot win Lula. They talk about the same stuff, and the current trend is to reelect the president. Heloísa Helena has too little time available in radio and television to seriously facing the official power.
Horário político
Antes que alguém me ache desequilibrado por ver o horário político, devo confessar que sempre gostei de assistir, até por diversão. O início foi ridículo aqui em São Paulo, e se viu de tudo. Os mais curiosos foram:
- Deputado sanguessuga Irapuan Teixeira, agora no PP (outro que assim como o PL é metade mensaleiro metade sanguessuga), xingou os políticos, dizendo que a bandalheira tomou conta (!?).
- Paulo Maluf, candidato do mesmo partido acima (aqui cabe parênteses, Maluf não é nem sanguessuga nem mensaleiro, compondo o núcleo ético do PP): é candidato a deputado federal. A plataforma é diminuir a maioridade penal para 16 anos, para combater a impunidade (!?). Resta saber se os menores infratores poderão se candidatar a deputado para poder se livrar da prisão – é um detalhe legal a ser decidido.
- O candidato e medalista Aurélio Miguel (PL: será candidato a mensaleiro ou a sanguessuga?) disse que para cada dólar investido em esporte, três retornam. Como ele citou uma razão, tanto faz descrever o dado com dólar ou com real, então : Por que não real? Péssimo prognóstico: deve querer ser mais que mensaleiro…
- Melhor candidato é o Frank Aguiar, PTB. O cãozinho do teclado… Mas decepcionou no primeiro programa, ele não latiu!
- Os candidatos do PSDB prometem cortar taxas, impostos, etc. Acho que não leram o programa do partido, nem viveram no tempo de FHC, pai dos pedágios, dos 27,5% do imposto de renda, do congelamento da tabela do IR e da CPMF…
- Agora sério. No meio desta tragédia geral, o PSOL está com pouco espaço e deveria dedicar mais tempo da candidatura da senadora para a legenda 50. Uma bancada minimamente forte seria um grande primeiro passo para a frente de esquerda.
Observações de um dia infeliz
Escrevo antes do fim desta fatídica final de Libertadores e hoje tenhos meus desabafos:
- Horário político: o horário do Serra começou com a velha ladainha “seu pai era pequeno comerciante, sua mãe dona de casa”. Que interessa? Eles dão um tempão para este candidato falar, e ele fica enchendo linguiça. Já decorei a família do Serra, ele tem que começar a falar dos tios, tias, avós, etc.
- Já pensou? Se um dia no horário aparecer alguém dizendo de um político algo como “seu pai é foragido, sua mãe se prostituía por comida” aí sim será uma novidade. Ou ainda: “seu pai era corrupto, mas sua mãe o corneava, por isto Fulano quer …”. Deveriam dividir melhor o tempo na televisão.
- O chiqueiro: a fumaceira da torcida do time da padre cacique mostra que aquele estádio é inerentemente inseguro, e deveria ser interditado, suspendendo a punição ao Grêmio.
- Rogério Ceni: ridícula sua participação no gol do primeiro tempo. Ele deveria ter corrido para as câmeras e gritado: “esta foi pra ti, papai” (o pai dele é colorado). Presentão de dia dos Pais.
- Horário político: já os dois candidatos conservadores a presidente vão com programa igual. Na realidade, são garotos de programa do capital financeiro, e levam à pasmaceira a campanha política.
- Colírio: linda a camisa do tricolor em Recife.
- A propósito: bando de frouxos este time são paulino. Se eles ficarem fazendo filura na lateral, podem ficar três dias jogando e não fazem um gol.
A greve do metrô
Ontem em São Paulo a greve do metrô perturbou tanto a vida dos paulistanos que a maioria não pode refletir sobre os motivos da greve. Como muito didaticamente explicou a senadora Heloísa Helena em artigo na Folha de Sâo Paulo, a ampliação da linha 4 terá uma parceria público privada no mínimo amigável com o capital privado. Os interesses da população estão em jogo, e o PT é omisso. Infelizmente, na confusão do dia, ficou na maioria dos paulistanos uma má impressão do movimento, e nenhum reflexão. Mais um ponto foi marcado por quem defende a privatização, mesmo se criminosa.
Como fugir deste problema? Enfrentando-o. O movimento do metrô não deveria ser nunca planejado como algo da categoria “metroviária”. Se a opção fosse a greve, deveria ser articulada com a participação de todo o transporte público. Se fosse restrito ao metrô, porque não fazer momentos no dia (ou o dia inteiro) com panfletagem e catracas liberadas. Afinal, o metrô é do povo, nada melhor que atraí-lo ao local para discutí-lo. A direção do metrô, em reação, talvez tentasse fechá-lo, o que os desmascararia. Os trabalhadores devem estudar novas formas de manifestação, especialmente nos serviços públicos.
A estupidez da direção do futebol brasileiro
A punição ao Grêmio levou o tricolor a jogar sem público em Caxias do Sul, no estádio Centenário. Devido a problemas com a qualidade da grama e custo do aluguel, a direção gremista está procurando uma alternativa. A melhor seria o estádio da Ulbra, em Canoas. Para satisfazer a exigência da CBF, o Grêmio deverá alugar arquibancadas para completar a capacidade mínima de 15000 torcedores. Para jogar sem público!!!!
Absurdo!!! Como ter de alugar arquibancada para jogar sem público, com portões fechados! Não há sentido! Isto exemplifica o que é o futebol brasileiro.
Vitória !!!!
O Grêmio finalmente venceu o Atlético do Paraná. Longe da torcida, punido com 8 jogos sem torcida, o tricolor bateu um adversário tradicionalmente difícil – uma “toca”. Rômulo jogou bem, e o gol de Herrera mostra que ele finaliza quando bem servido – a imprensa deve rever seus conceitos quanto a este jogador. Grande parte da má-impressão é que ele geralmente entra em fogueiras como único atacante – as vezes mais para segurar a bola no campo adversário.
Hoje ninguém foi expulso, será simples coincidência? Não penso assim, porque a radicalização de setores da torcida do Grêmio trazia intranquilidade ao grupo. Espero que o Mano tenha achado o ponto do time, já com os reforços, e possamos sonhar em jogar a Libertadores novamente.
A propósito, hoje a Folha publicou algo sobre um time gaúcho que venceu os coríntios ontem. Lamento informar a Folha que Floripa não é Rio Grande do Sul. Acho que foi ofensivo aos gaúchos, porque para alguns paulistas gaúchos são todos os que vivem ao sul (ignorando que há três estados diferentes e não um só) e catarinenses, pois o Figueirense está representando com honra e competência Santa Catarina, e não deveria ser chamado de time gaúcho em um jornal da importância da Folha de São Paulo.
Oposição / situação
A dinâmica que está se criando entre o PSDB e PT parece a que existe entre Partido Democrata e Republicano nos EUA, e apenas o fortalicimento de opções reais à direita e à esquerda podem inviabilizar este triste futuro. Um exemplo disto são as OSs e a terceirização de serviços de sáude. Tais iniciativas são flagrantemente inconstitucionais, e só sobrevivem pela omissão dos poderes legislativo e judiciário. Como criação tucana, no estado de SP, o PT geralmente é contra e sindicatos liderados por petistas lideram ações na justiça contra isto (como agora na prefeitura de São José dos Campos, pref Eduardo Cury, PSDB). No entanto, a prefeitura petista de Guarulhos (prefeito Elói Pietá) fez uma parceria similar com uma OS (a SPDM, ONG ligada a UNIFESP). Isto demonstra a convergência de políticas públicas entre os dois partidos, algo que, se de um lado garante uma continuidade administrativa, de outro mina a democracia, pois torna inacessível ao voto popular setores amplos da administração pública.
A Bovespa na terceira semana de agosto
A situação está difícil. As elétricas estão muito voláteis. A bolsa segue em alta terciária, sendo que mantém se persistir acima de 36567. A voltatilidade das elétricas deve gerar oportunidades de curto prazo.
Das lamentações
É preciso reconhecer que o São Paulo mereceu a derrota. Em nenhum momento se impôs. O meu desejo – o fim do jogo por falta de jogadores – não se concretizou, e só um milagre para evitar a primeira Libertadores da Avenida Padre Cacique. O São Paulo é um time de frouxos, que se deixou ser dominado em sua própria casa – o Libertad ofereceu mais dificuldades ao time da beira-esgoto. Lugano só sabe agarrar na área, Ricardo Oliveira estava solitário e Danilo achava que o gol adversário era na lateral (sim, Muricy, ele é um cavalo mesmo – não chuta, dá coices…).
O Asilo da Padre Cacique deve estar em festa – desde 40 não viam tanta festa. Eu lembro da minha infância, na década de 70, e do espírito guerrilheiro que precisávamos ter para ser gremista entre 76 a 80 (de antes de 75 faltam lembranças). Voltamos àquela realidade, como foi a de meu pai na década de 40.
Aos novos gremistas é preciso dizer que eles passarão. Um dia, no infinito, todos os times da América serão campeões da Libertadores. Um dia, todos terão todos os títulos. Mas a garra e a raça da camisa do tricolor dos pampas, esta é única. Viva o Barcelona! E que nos preparemos para a próxima década!
E joguinho, hein?
Não postarei nada após a final da Libertadores. Como espectador neutro que sou (um gremista residente em São Paulo) tenho a dizer que os dois times são truculentos e abusam de jogadas violentas. Usam as mãos para cotoveladas e tapas. Este Lugano em todo o cruzamento na área agarra alguém. Assim não dá ! A Conmebol deveria moralizar a Libertadores. O juiz deveria seguir expulsando, e quando tiverem menos de 7 para cada lado, declarar ambos perdedores – neste caso a Conmebol deveria declarar o Libertad, do Paraguai, campeão!
Heloísa Helena no Jornal Nacional
De um modo geral pode ser avaliada como positivo o desempenho da senadora no JN hoje. E negativa a participação dos âncoras. W. Bonner insistiu no modelo de socialismo do PSOL, algo pretensamente ingênuo, mas que na verdade só quer fazer emergir o anti-comunismo latente das massas despolitizadas.
Pergunta ao Alckmin o modelo de capitalismo dele, qual será a resposta? EUA (e lá se vai o SUS)? Europa (e o déficit público aumenta)? ou China (e seus salários de 50 dólares)? Ou ao Lula – aliás, o Lula só aqui mesmo. Na realidade, é como disse a senadora: não existe importação de modelos.
O JN perdeu oportunidade de perguntar sobre a reforma da previdência, sobre a questão dos juros, as privatizações e outras questões, nas quais poderíamos ver respostas mais criativas e interessantes da Senadora Heloísa Helena.
Por fim, surpresa da noite é a recuperação de Lula na última pesquisa do Datafolha. Esta polarização ridícula fortalece o governo e cria ilusões nas esquerdas. Acho que o cara do PCO que disse que a candidatura do PSDB era uma anti-candidatura, que foi posta para perder porque o capital financeiro preferia manter Lula sem correr riscos estava certo.
O solitário de Rondônia
Em Rondônia todos os poderes estão envolvidos em um esquema de corrupção, segundo os jornais. Ou seja, cada um deve ter seu esquema, mas há um que envolve todos. A Justiça, o Executivo, 23 deputados estaduais e respectivos parentes e acessores. A gravidade da notícia realça o seu surrealismo. Um esquema assim, para ser descoberto, é porque era aberto, público e notório. Imagino que o presidente do tribunal deve estar pensando o que ele fez de errado. “Quem pensam que são estes policiais federais?” deve ser o comentário. Assim como devem estar projetando em quanto tempo tudo retorna a normalidade (“Talvez depois da eleição, quem sabe”).
Rondônia tem 24 deputados estaduais, e eu fico pensando no deputado que não fazia parte do esquema. Será ele um ausente? Estará doente? Imagina a situação deste infeliz no dia a dia do parlamento. Sim, porque se fossem 23 de um partido e só ele do contra haveria discussão, bate-boca, mas todos tomariam café junto. No entanto, num lugar em que todos são corruptos, um honesto é um estorvo, algo que gerava um constrangimento diário. Talvez o seu não envolvimento seja um indício de alienação a rotina da casa – seria o caso de impeachment? Possivelmente ele tivesse um esquema melhor, mas neste caso alguém o teria seguido… mas todos os partidos estão envolvidos, do PT ao PP.
(imagino que o PSOL não existe em Rondônia, até porque o PT de lá sempre foi muito mais aberto a alianças e ao convívio democrático e a troca de experiências com outras correntes de pensamento, como visto pelo seu envolvimento)
A solidão deste deputado deve ter sido profunda e desoladora durante o mandato. As sessões imagino que eram interrompidas quando de sua chegada e os rostos virados. Seus acessores cobrados em casa pela “ineficiência”. A chacota pública destruía sua reputação, imagino, em um local em que a normalidade democrática era cimentada pela corrupção.
E o governo federal não intervem em Rondônia…
Novos ataques do PCC
O governo do estado de São Paulo continua perdido. Os novos ataques do PCC realizados na última madrugada revelam que eles mantém sua capacidade de organização intactas. Houve um ataque mais refinado, contra o Ministério Público, e estamos vendo o surgimento de uma organização terrorista.
O governo mostra o quanto está perdido quando mantém o indulto de dia dos pais. Os presos que vão sair são vítimas da chantagem do crime organizado, e este está realmente organizado e intacto. Não podemos avaliar a extensão do aliciamento realizado dentro dos serviços, e cancelar o indulto seria uma proteção aos presos que podem ser obrigados pelos criminosos do PCC a praticar novos atentados. A situação é emergencial, e o governo mostra que não se deu conta disto.
Fidel e os EUA
São ridículas as manifestações vindas da América do Norte sobre Cuba e a recente doença de Fidel. Os EUA estão claramente manifestando suas intenções de intervir na ilha, possivelmente através da criação de fatos novos (tipo Baía dos Porcos), usando os refugiados. Eles afirmam que mantém uma lista atualizada de quem viola os direitos humanos no país. Será que eles mantém algo parecido sobre a China, Paquistão, Arábia Saudita, Jordânia e Egito?
Os EUA são os pais do regime castrista. Fidel venceu uma revolução contra um ditador militar apoiado pelos EUA. Além disto, não foram os cubanos que se afastaram de Washington, mas sim o contrário, pois discordava das medidas nacionalistas do novo governo. Naquela época, os EUA apoiaram ditaduras sanguinárias em toda a América Latina, e esta política foi particularmente sangrente na América Central. Não se pode avaliar a abertura política dos cubanos, pois eles são obrigados a se manter em posição defensiva desde então. Como poderia viver uma democracia representativa com uma inundação de dólares para uma campanha política, por exemplo?
Assim, os EUA são culpados. O mais grave é que eles não reconhecem a sua culpa. Nunca se arrependeram dos crimes que patrocinaram na América Latina. Nunca! Temo pelo futuro da ilha, pois uma maior abertura e circulação de pessoas necessariamente abrirá o flanco para a intervenção estrangeira. Por outro lado, ela será necessária.
A propósito. Será que na lista dos que violam direitos humanos em Cuba há militares de Guantánamo?
A injusta punição do Grêmio
Já anão bastasse a final da Libertadores no Beira-Rio, o Grêmio terá de ficar oito jogos longe da torcida por causa daqueles vândalos babacas que botaram fogo nos banheiros químicos do Beira-Rio. A CBF nitidamente quer pegar um clube para Cristo, melhor ainda um que está fraco politicamente hoje, de fora de Rio-São Paulo.
Há um ano atrás torcedores do Botafogo, no estádio do Botafogo, com mando do Botafogo, atiraram objetos ao campo e o clube não foi punido porque identificou os responsáveis. O Grêmio fez mais: investigou o caso e identificou as torcidas e as pessoas envolvidas, só que no caso do tricolor ele leva 8 jogos de suspensão. Não tem sentido!!! Daqui a pouco a torcida do Grêmio vai botar uniforme colorado e fazer baderna, e ferrar os colorados! A direção do clube foi enérgica e eficiente e o clube não era mandante. Não há sentido na punição aplicada (R$ 200000 mais os oito jogos, mandando o Grêmio jogar com portões fechados até novembro). Espero que a direção recorra até as últimas consequências contra este abuso da CBF, nem que seja na justiça comum. Afinal, na Itália a justiça comum rebaixou a Juventus e a FIFA não fez nada contra a Itália. Quanto aos babacas, que sejam identificados e proibidos de frequentar o Olímpico.
Mercado de ações: segunda semana de Agosto
Há um otimismo no ar. O Dow Jones está perdendo momento, e mete medo se visto por candle. A Bovespa também perdeu momento, mas isto é secundário porque está aumentando volume e rompeu os 37600. Agora, rumo aos 38800. De olho em CLSC6 (>1,72), BRAP4 e SBSP3.
Constituinte: para quê?
Lula e seu menino de recados pensam em uma Constituinte para fazer a Reforma Política, foi anunciado hoje. Ora, pra quê uma constituinte. Segundo Cristóvão Buarque, é uma iniciativa que lembra a Chavez. Já Alkmin é contra, mas sem saber porque. Mal sabe ele o quanto ele está errado…
Hoje vivemos o auge da hegemonia neoliberal no país, e o consenso ao redor dos conceitos do Consenso de Washington engloba PFL, PSDB e PT, além de seus tradicionais clientes (PMDB, PL, PTB e PP). Mesmo assim, circunstâncias políticas impedem que estas forças avancem na implementação de suas políticas. Na realidade, a própria Constituição de 1988 é um entrave. Nela há a universalização da saúde (um dos alvos implícitos desta turma), da educação (outro alvo), restrições ao capital estrangeiro (aéreas, por exemplo) e outras questões que seriam alvos preferenciais desta hegemonia conservadora. A reforma política seria a desculpa “ética” para uma revisão mais ampla da Constituição. A consituinte permitiria um foro em que novas relações políticas entre PSDB e PT poderiam ser galvanizadas (como aliás alguns setores de ambos os partidos vem tentando a algum tempo). A história só se repete como farsa, diria Marx. Não há nada de chavismo na idéia lulista, mas sim o oposto.
Cabe à esquerda denunciar esta manobra e centrar a resistência a isto nos movimentos sociais. A maior parte deles segue envenenada pelo PT, e este é o momento para o antídoto.
Suggestion to UN regarding Lebanon conflict
How will they reach peace between the people chosen by God and the Party of God? I mean, how can it be possible? UN have to ask God himself to decide a deal between Hezbollah and
Israel.
Qana
Passaram-se 4 dias, e Israel continua despejando bombas no Líbano (todo o país). Mais e mais civis são mortos, e não há previsão de cessar fogo. Os EUA estão enrolando o mundo todo, e a nada de concreto foi feito para impedir o massacre. Escrevo isto apenas para lembrar que o conflito entre o Partido de Deus e o Estado do povo escolhido continua (aliás, se um é o povo escolhido e outro é o partido de Deus, há chance de paz???)
Brasil e o conflito árabe-israelense
Ontem a Folha de São Paulo publicou interessante matéria sobre o pensamento dos principais candidatos a presidente em relação a questão do Líbano. A candidatura Lula não apresentou novidades, representado por Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT, que limitou-se a expor princípios gerais, sem maiores consequências. Heloísa Helena, representada pelo seu vice, condenou a ação de Israel como desproporcional à provocação e manteve uma linha lógica e coerente, criticando a posição cínica dos EUA com relação ao conflito César Benjamin ressaltou o papel de resistência do Hezbollah a ocupação israelense, ao responder sobre a caracterização do grupo. Agora, o que mais surpreendeu foi Geraldo Alkmin. Ele conseguiu em grandes parágrafos não dizer nada. Ele não caracterizou o Hezbollah como terrorista (nem sim, nem não, muito antes pelo contrário), não quis comentar a posição americana e falou em defesa da paz (!?!?!). Ridícula a falta de posição e opinião expressa pelo picolé de chuchu.