A indicação de Solange para a ANAC
A ANAC (agência nacional de aviação civil) é um órgão com atribuições confusas que acaba sendo uma correia de transmissão das maiores companhias aéreas, que tornam a regulação da aviação civil um departamento delas. O atual diretor, como representa um órgão fantoche, sempre que chamado a explicar suas decisões responde como um fantoche: respostas vagas e evasivas. Chamavam-no de incompetente, mas o problema trancende a competência. Por examplo, agora o governo nomeará Solange Paiva Vieira, ex-secretária de previdência complementar do governo FHC. A Secretaria de Previdência Complementar está para as seguradoras assim como a ANAC para as aéreas. Então, seria a experiência na área o principal atributo de Solange. Penso que não. Solange é experiente sim, mas como fantoche. Além disto, é bonita, o que, em um país machista como o nosso, melhorará o clima das tensas reuniões das comissões parlamentares quando a ANAC está em pauta.
Mais um exemplo de como este país é hipócrita, machista e previsível.
Gre-nal
Vi no Gre-nal superioridade incontestável do Grêmio, e uma desorganização tática tão grande do time adversário que me leva a pensar: será que o elenco do Inter é mesmo bom? O meio-campo do Internacional perdeu a partida para o meio-campo do Grêmio, e no ataque há este Roger (que não acerta uma finalização) e o Fernandão, que está em franca decadência. De outro lado, o Grêmio apresenta um meio-campo consistente, marcador e que mantém um suprimento constante ao ataque. O Inter contrata jogadores caros e ruins, o Grêmio promove jovens talentos que estão dando conta do recado. E Jonas e Luciano Marreta foram uma grata surpresa. Neste ritmo em breve eles estarão endividados e o Grêmio com dinheiro em caixa…
O Senado e a federação
Na sua história o Brasil “independente” teve dois momentos distintos: o Império e a República. Na época do Império era um regime unitário, e pipocaram movimentos separatistas aqui e ali, que foram sufocados. Na realidade, o Império não foi uma independência, mas sim uma mudança de metrópole, em que Lisboa foi trocado por Rio de Janeiro (em 1808), com a mesma corte e famílias reais. A proclamação da república veio a sofisticar estes mecanismos, e desde então vivemos um império republicano, como Roma foi um dia, em que todos os estados devem à sobrerania de uma metrópole (Rio de Janeiro e, agora, Brasília).
Um dos mecanismos de proteção do império contra a democracia é o senado, casa em que Roraima tem o mesmo peso de São Paulo. Não me surpreende em nada que o senado fez na semana passada, portanto. O Senado é uma casa revisora de matiz conservador que tem como único propósito sufocar a democracia.
Democracia verdadeira implica em participação popular, e esta só é possível dentro de uma verdadeira federação. Penso que a saída para isto passa pela implosão da União em seus marcos atuais. Uma vez decomposta, caberia aos estados a constituição de um novo pacto federativo – ao menos os estados que assim desejarem. Penso que idealmente, para a manutenção de um mercado comum confiável, o país deveria ser uma Confederação, em que haveria Forças Armadas comuns (não exclusivas, com liberdade para os estados terem a sua própria), um ministérios das relações exteriores comum, uma moeda comum (um Banco Central) e um regime tributário mínimo comum. Este deveria ser o conteúdo de uma reforma política!
Constituinte: para quê? (2)
Hoje o Gaspari, com quem raramente concordo, escreve na Folha que a constituinte que o PT propõe seria para aumentar o mandato do presidente da república. Nunca pensei nisto seriamente, porque pensava que o governo aproveitaria isto para aprofundar as reformas neoliberais, especialmente previdência. No entanto, recentemente, a discussão no PT tem sido rasteira, e há dificuldade na base aliada de encontrar um candidato satisfatório. De fato, o PT parece não ter aceitado bem o desmame do lulismo, e está em crise de abstinência antes mesmo da eleição. O partido corre o risco de rachar profundamente em um pleito sem a liderança de sua majestade barbuda.
Assim, parece ser mais provável que a proposta tenha um objetivo mais rasteiro, qual seja o de reeleger lula. Neste caso, é um escândalo sob todos os pontos de vista, pois não haveria nem referendo (como fez Chavez). Claro, o PT não tem a força na sociedade que antes tinha, o poder de mobilização que antes exibia, mas de outro lado não há uma oposição real. Cabe observar como se dará a negociação deste pleito petista na sociedade.