Sugestões de DVDs
Fun with Dick and Jane (2005, As Loucuras de Dick e Jane), com Jim Carrey, de Dean Parisot. Jim Carrey, suas caras e bocas, e a capa sugerindo um pastelão iludem – o filme é sério e bom. Além de criticar o “american way of life” e sua hipocrisia, o filme é uma denúncia sobre a série de escândalos financeiros, dos quais a Enron é o exemplo mais famoso. Há lances hilários, como o filho criado pela empregada hispânica e que fala mais espanhol – aliás, só a empregada fica ao lado do casal na sua bancarrota. No DVD, as cenas deletadas são ótimas, e devem ser conferidas. Vale a pena.
A History of Violence (2005, Marcas da Violência), com Viggo Mortensen, de David Cronenberg. Pode-se dizer que é um filme médio, com um fundo moralista. E nas contradições do moralismo, o filme salva a família. No entanto, é tecnicamente bom, a história não é cansativa e prende o espectador do início ao fim. A censura ”18 anos” é devida a cenas sexuais picantes e um nu frontal de Maria Bello, não pela violência. No DVD vemos que a cenas deletada foi bem deletada.
The Pink Panther (2006, A Pantera Cor-de-Rosa), com Steve Martin, de Shawn Levi. Vi, e lamento. O filme tem enredo frágil, e não serve nem como comédia pastelão. Steve Martin fazendo sotaque francês é ofensivo aos franceses, e quando ele tenta aprender inglês então, fica pior. Beyonce, apenas caras e bocas. Saudades dos antigos filmes da série. Aliás, o assassino é óbvio demais. E o pior, DVD para aluguel sem extras.
Brokeback Mountain (2005, mesmo título), com Heath Ledger de Ang Lee. Quando vi a crítica sobre o filme no cinema e a candidatura ao Oscar pensei que o tema da homossexualidade fosse o objeto principal do filme mas que ficasse não muito explícito. Errei duas vezes. Temas polêmicos fazem isto, turvam a visão das pessoas. O filme é basicamente sobre opressão. Todos no filme vivem tensamente sob a opressão da sociedade, uma opressão totalitária que os deixa presos às suas circunstâncias. Assim são o casal da capa, suas esposas etc. Esta questão que o filme coloca mostra é o maior argumento a favor da causa gay, no fim. A defesa da liberdade – e eles só são livres quando fogem. O resultado final é que é um bom filme, mas deprimente. E o DVD não tem extras.
Munich (2005, de Spielberg, com Daniel Craig). Apenas Spielberg poderia ter feito este filme. Qualquer outro, que não o diretor da Lista de Schindler, seria acusado de anti-semita. O filme fala do ciclo de violência que as vinganças recíprocas entre palestinos e israelenses cria e mantém, até hoje. Muito bem dirigido, bom ator, mas um pouco longo demais. A lição que fica do filme é: como pode haver paz entre isralenses e vizinhos se os primeiros acham que tem mandato de Deus para fazer o que quiser naquelas terras? Eles esperam o Messias, sem nenhum novo profeta, há 2200 anos, mas ainda crêem na tal aliança de Moisés… Não há solução. Por fim, o DVD tem apenas um extra, sobre a produção do filme.
Syriana (de Steven Gaghan, com Alexander Siddig, 2005). As pessoas que trabalharam neste filme, pelos comentários do DVD, pensam que fizeram um novo Traffic. Nem tanto, porque Traffic era um filme mais complexo que este. No entanto, Syriana é quase como um documentário do M. Moore, e critica os mecanismos por trás da política externa americana no Oriente Médio. Bom filme, mas DVD pobre em recursos (basicamente entrevistas). Aliás, entrevistas em DVD são engraçadas – todos falam da obra como se fosse sua obra definitiva.
Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice, de Joe Wright com Matthew Macfayden, 2005). Filme romântico de época, tendo tudo para ser chato. Mas não é- com destaque para a atuação do Sr Darcy – Macfayden é excelente ator , pena que não aproveitado. O filme é bom e agrada diversos gostos. O DVD tem bons extras e há um final alternativo.
Match Point (de Woody Allen, com Scarlett Johansson, 2005). O filme foi muito falado, e todos sabem que o final é surpreendente, e tal. Apenas agora vi este filme, entretanto, e isto condiciona a pessoa (setembro/2006). No início, até pela espectativa achei a Scarlett numa atuação previsível. No entanto, novo engano. Ela está sensacional, e o diretor joga com a sua previsibilidade (a femme fatale, ultra-sensual fica frágil durante o filme). Ela é uma grande atriz, Woody Allen é um grande diretor, e os três outros papéis importantes não comprometem. Grande filme.
Walk the Line (2005, de James Mangold, com Reese Witherspoon e Joaquin Phoenix). Filme biografia sobre cantor americano famoso: quem viu um viu todos. O mesmo começo brilhante, a queda e a volta por cima. Tudo igual. Para brindar a mesmice, o casal mais canastrão do século XXI. Não sei como cogitaram premiar algo assim…
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