Blog Segunda Leitura

all that is solid melts into air…

o balanço das olimpíadas tem sido deprimente. As pessoas de um modo geral dizem que o Brasil foi mal, que é uma vergonha, etc. E culpam o governo federal. Meu pensamento é amplamente discordante neste tópico. Primeiro, se olharmos o quadro de medalhas, vemos que de 1996 para cá o Brasil melhorou bastante. Antes de Atlanta era sempre menos de 10 medalhas e de lá para cá estabilizou entre 10 e 15. Estamos melhor que Cuba e Índia. Ficamos sempre próximo do Canadá, o rival Panamericano.

Este é o limite da política atual de financiamento de atletas de elite. O melhor exemplo disto é a ginástica olímpica, que deu um grande salto, mas um novo salto não será possível dentro da política atual. Daí para cima tem de haver trabalho de base. E trabalho de base é escola. Os municípios e os estados devem fazer a sua parte e o governo federal tem que se intrometer menos, porque regar de dinheiro as federações só incentivará a corrupção e a incompetência gerencial. Algo que poderia ser feito seria dividir os recursos da Lei Rouannet com o esporte – esta lei hoje, na cultura, também privilegia a exposição dos doadores em projetos muitas vezes já lucrativos, projetos que talvez não necessitassem deste tipo de subsídio.

Ainda assim, quando houver trabalho de base, o Brasil ainda não será potência olímpica, porque os salários aqui não permitem que adultos jovens tenham tempo ocioso suficiente para se dedicar ao esporte. Neste ponto, ou o país melhora os salários ou cria uma forma mais forte e direta de incentivo governamental. Mas aí será um outro problema.

27 Agosto 2008 Publicado por strehl | Uncategorized | , , | Sem comentários ainda

100m e vestibular

Olimpíadas – vi um corredor brasileiro falando sobre os 3 favoritos ao ouro nos 100m e pensei um pouco sobre o vestibular e os desafios em geral. O velocista na entrevista deixou clara a inalcançabilidade dos favoritos. Com o vestibular ocorre isto também – acompanhando alguns vestibulandos sempre vem aquela frase – “Ah, fulano não dá para comparar, ele é fora de série” ou “Ah, para o curso que eu quero não preciso estudar como os malucos que querem medicina” ou “Ah! O cara estuda demais, não tenho como chegar lá”.

Tanto um caso como outro vemos obstáculos, obstáculos colocados pelo próprio interessado. Conheci uma destas pessoas que foram bem no vestibular em um curso concorrido de faculdade pública (uma das melhores do país segundo o MEC, e muito bem, por sinal) e pude ver que o que diferenciava ele dos outros não era uma preparação excepcional, um alto QI, algo inatingível. Ele tinha estudado em um colégio particular no segundo grau (mas em público a maior parte do primeiro), mas (segundo mas é estranho) um particular de segunda linha.

O que diferenciava é que ele não colocava obstáculos intransponíveis na trajetória. A meta era passar e o objetivo dele era passar. Para passar ele apenas queria acertar todas as questões possíveis, e se a questão estava na prova era porque era possível. Assim, a meta era acertar tudo, e o planejamento do estudo foi feito com base no melhor desempenho – quando ele acertava 80% em um simulado, ele na verdade errava 20%. Não via concorrentes ao lado, porque ele pensava sinceramente que não conhecia os reais concorrentes – estes míticos concorrentes seriam nerds que acertariam 99% da prova.  Assim, a real medida de sucesso era ele mesmo. Isto mais planejamento fazem a pessoa passar no vestibular. Se a pessoa entra nisto com o objetivo de acertar apenas o suficiente, então a pessoa já tem boa chance de não passar.

De volta aos 100m – penso que faltava ao concorrente esta gana. Penso que o cara na olimpíada hoje deve ter como objetivo cravar 9s70. Se fizer 10 e 11 e ficar em vigésimo, tudo bem. Mas a preparação tem que ser feita para 9 e 70. Se colocar como  objetivo da preparação fazer 10 e 11, então já está tudo perdido.

16 Agosto 2008 Publicado por strehl | Uncategorized | , , , | 2 Comentários